O fígado concentra funções que vão muito além da metabolização de nutrientes. Ele filtra toxinas, produz proteínas essenciais à coagulação, regula o armazenamento de glicose e participa da resposta imune a patógenos entéricos. Quando essas funções se comprometem — por vírus, álcool, gordura acumulada ou doenças autoimunes — o impacto se espalha por todo o organismo.
No Brasil, a transição epidemiológica acelerou a prevalência de doença hepática gordurosa metabólica, enquanto hepatites virais persistem em populações vulneráveis com acesso irregular a testagem e tratamento. O SUS ampliou a oferta de antivirais para hepatite C, mas a triagem em atenção primária ainda apresenta lacunas significativas entre regiões.
O Fígado em Foco nasceu para preencher um espaço editorial entre boletins técnicos e notícias de superfície. Nossas matérias privilegiam contexto local, citação de fontes primárias e indicação de lacunas que merecem investigação. Não publicamos conteúdo promocional nem orientações que substituam avaliação médica individual.
Convidamos leitores a explorar o acervo, enviar correções fundamentadas para [email protected] e propor temas alinhados à nossa linha editorial sobre hepatologia e saúde do fígado no Brasil.
A eliminação da hepatite C como problema de saúde pública — meta declarada pelo Ministério da Saúde — depende não só da oferta universal de antivirais, mas da ampliação da testagem na atenção primária e do rastreamento em populações vulneráveis. Enquanto isso, a esteatose hepática metabólica avança como principal indicação de consulta hepatológica em ambulatórios urbanos, exigindo integração com equipes de endocrinologia e atenção básica para manejo de peso e comorbidades associadas.
O transplante hepático no SUS opera com filas regionais e critérios de priorização pelo escore MELD. Nossas matérias sobre cirrose e carcinoma hepatocelular contextualizam quando o encaminhamento ao centro de referência é urgente e quais barreiras logísticas — transporte intermunicipal, exames pré-transplante — atrasam a entrada na fila em estados do Norte e Nordeste.
A hepatologia brasileira vive um momento de transição: hepatite C em via de controle com antivirais de ação direta, esteatose em ascensão e doença alcoólica ainda subdiagnosticada na atenção primária. O Fígado em Foco acompanha essas mudanças com matérias que cruzam evidência científica, política do SUS e relato de serviços em diferentes regiões do país.